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Além de O Homem do Furo na Mão, que narra o isolamento do indivíduo devido ao preconceito, Loyola aborda em: - O Homem que resolveu contar apenas mentiras - a hipocrisia social. - O Homem que devia entregar a Carta - o abuso de autoridade e a submissão sem questionamento. - Os Homens que não receberam visitas - narra os limites entre loucura e normalidade. - O Presidente da China - o desejo do poder. - A Descoberta da Escrita - a luta pela liberdade de expressão. - Pega ele silêncio - desejo por ascensão social. - O Homem que procurava a máquina - obstinação pela verdade. Antologia O conto que dá título à coletânea, a presença de um furo indolor na mão do personagem acaba por marginalizá-lo dentro de seu próprio universo, o que demonstra o papel repressivo e massificante de uma sociedade que rejeita a singularidade do indivíduo: "Há doze anos tomavam café juntos e ela o acompanhava até a porta." Você está com um fio de cabelo branco, ou tinge ou tira. Ele sorriu, apanhou a maleta e saiu para tomar o ônibus, faltavam doze para as oito, em três minutos estaria no ponto. O barbeiro estava abrindo, a vizinha lavava a calçada, o médico tirava o carro da garagem, o caminhão descarregava cervejas e refrigerantes no bar. Estava no horário, podia caminhar tranqüilo a mão, descobriu uma leve mancha avermelhada de uns dois centímetros de diâmetro. Quando o ônibus chegou, a mão coçou de novo. Agora ardia um pouco e ele teve a impressão de que no lugar da mancha havia uma leve depressão. Como se tivesse apertado uma bolinha muito tempo, com a mão fechada." Ao chegar no escritório, naquele dia, ficou a disfarçar a mão entre os papéis da sua mesa, pois não queria que os amigos vissem o furo de sua mão. À noite, ao chegar em casa e mostrar o furo para a esposa, esta sugeriu um bandaid, e o homem rejeitou a sugestão, pois já começava a se afeiçoar àquele furo. No outro dia, a esposa o abandona por não poder "viver com você enquanto esse buraco existir". Durante o expediente se comunicou com o sogro e este nada sabia de sua filha. No final do serviço, perambulou pelos lugares onde pudesse encontrá-la. Sem sucesso. A empregada também resolve deixar a casa e o homem começa a se aperceber da marginalização que passa a sofrer por causa de sua diferença, o furo na mão. No ônibus não embarca, foi demitido do emprego, nem sequer lhe era permitido sentar no banco da praça - o senhor quer sair deste banco? Era um homem de farda abóbora, distintivo no peito: fiscalização de parques e jardins. - O que tem este banco? - Não pode sentar nele. Ele mudou para o banco ao lado, o homem seguiu atrás. - Nem neste. - Em qual então? - Em nenhum. - Olhe quanta gente sentada. -- Eles não têm buraco na mão. - Daqui não saio. O homem enfiou a mão embaixo da túnica, tirou um cacete, deu uma pancada na cabeça dele. As pessoas se aproximaram, enquanto ele cambaleava. (...) - Saia, saia, gritavam as pessoas em volta." Por fim, perdeu tudo e todos, indo morar com uns mendigos embaixo da ponte, que também tinham furos nas mãos. Personagens Esposa barbeiro vizinha médico homem de farda homem com o furo na mão.
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