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Resumos
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Escrito por Luiz Ramos
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Sáb, 21 de Março de 2009 17:22 |
Cor de vinho é um thriler. Tudo no conto é noturno. Cor de vinho, de sangue. A abertura já dá uma amostra do conteúdo: "A um canto de muro, deteriora. Insinua um sorriso aos passantes; estende a mão aos viventes. Vislumbres breves de uma vida que não alcança. Aranhas tecem, insetos fenecem, cresce o capim e, em tufos, avança pelas frestas. Por vezes pensa em rebelar, mas, convencido que tanta coisa é nada,aquieta. Fecha os olhos e a noite vem encontra-lo ainda assim, domado, caninos dentes a rangerem conformados.". Conta basicamente a história de um crime "O corpo caído no chão não denunciava, a não ser por detalhes quase que imperceptíveis, a presença da morte. Outro detalhe era que, abaixo do seio projetava-se o cabo de um punhal cuja lâmina devia ser extremamente fina, tão fina que pouco sangue havia e devia ter requerido do assassino uma maestria beirando a genialidade para poder introduzir assim no coração da garota". Mas não é só um crime, dentro da lógica da cidade onde tal crime acontece, coisas assim são naturais. É uma tragédia que desecadeia outra tragédia que direciona os personagens a um abismo sem fim. Há uma passagem antológica "Defronte a catedral há uma árvore da qual projeta-se um galho sobre a rua de paralelepípedos a uma altura que não exige imediata extirpação. Durante a missa, enquanto o vigário consagra a hóstia e os fiéis compenetram-se no ato litúrgico, aguardando a transubstanciação, Anita volta seus ígneos olhos para a rua, para a árvore e antegoza o momento em que divisará o inferno, em que revolverá seu Aqueronte, quando seu corpo enfim penderá inerte para deleite da cidade que afinal compreenderá que alguém tem que ceder" que nos remete exatamente ao cerne da questão. À compreensão de que algo sempre cede e este "cedente" será sempre o mais fraco. Neste clima meio que Kafkaniano, o autor encerra dizendo que "com um copo de tinto seco nas mãos, dirigiu-se a um canto em especial penumbra. Já não pensava no crime que tinha nas mãos e sim, no processo de desconstrução de Lady Macbeth que teve início em seu desmaio (simulado?) ao ser informada sobre o assassinato de Duncan; que passa pela lavagem incessante das mãos; para o sonambulismo; e culmina com sua morte". Tudo cor de vinho. De sangue. Tudo.
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