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Recordações do Escrivão Isaías Caminha PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Lima Barreto   
Ter, 17 de Março de 2009 16:32
Lima Barreto pertence ao que se denomina Pré-Modernismo no Brasil, época ( não é escola literária) que se instala entre 1902 e 1922.
Recordações do Escrivão Isaías Caminha é o seu livro de estréia e, da mesma forma que os outros livros do autor, foi recebido pelo público com indiferença. A crítica torceu o nariz para o mulato com nome do primeiro rei português, Afonso Henriques, acusando-o de desleixo frasal, erros de concordância e regência e estilo demasiadamente popular.
Com o advento do Modernismo, Lima Barreto teve o reconhecimento que, em vida, jamais esperou obter. Envolvido pelo álcool, onde procurava consolo para seus problemas particulares, cercado pelo medo da loucura que dizimava um a um os membros de sua família, foi diversas vezes internado em hospícios, hospitais psiquiátricos. A obra que deixou é, mesmo assim, vasta e encantadora. Entre seus romances, o mais conhecido é Triste Fim de Policarpo Quaresma.
O resumo da obra é o que se segue:
O menino Isaías nascera de um romance entre a mãe negra e um padre branco que, até morrer, cuidou do destino da criança. Morto o pai, o pequeno passava por todas as misérias, mas era aluno brilhante. Instigado pela professora que nele reconhecia um gênio, Isaías foi para o Rio de Janeiro com as minguadas economias que a mãe lhe oferecera e uma carta de recomendação que seu tio Valentim, carteiro, conseguira. No Rio, deveria procurar o deputado Castro e este lhe arranjaria um trabalho e asseguraria que ele cursasse medicina.
Engano. Castro era um fanfarrão e logo cedo Isaías percebe que é vítima do preconceito racial.
Nesse aspecto, o romance é quase autobiográfico: Lima Barreto também pagou caro pelo fato de ser mulato, apesar de culto.
Isaías, enquanto esperava pela ajuda do deputado, ficou num hotel e gastou o dinheiro das economias da mãe sem nada obter. Vendeu livros, roupa e foi acusado de um furto no hotel, por ser ali o único hóspede negro.
Aconselhado pelo delegado, vai para uma pensão onde encontra o ativista político Abelardo Leiva, que era também poeta. Mas Leiva parte para o Nordeste e Isaías se afunda cada vez mais na miséria. Escreveu para casa pedindo dinheiro, mas Valentim responde que a mãe está doente e que o dinheiro acabara.
Isaías encontra, então, o jornalista Gregorovich Rostoloff a quem conta todo o seu drama. Condoído, Gregorovich pede ao rapaz que o procure na redação de O Globo. Enquanto esperava o amigo, Isaías ouve a conversa dos jornalistas com Ricardo Loberant e se assusta com a servilidade que nota neles.
Mas Gregorovich encontra para ele um trabalho: o de contínuo ( Office-boy) na redação do jornal. Aqui, podemos verificar o desprezo do narrador àqueles acontecimentos: os jornalistas são sórdidos, o diretor despreparado e ele, Isaías, culto e inteligente, é que lhes serve o café...
Isaías ganha mal e ganha roupas usadas, raramente compra roupas , chapéu ou botinas novas. Agüenta os berros das pessoas, os xingamentos. No jornal, reina a mediocridade: Floc, um crítico literário sem escrúpulos ou entendimento, um dia bebe cachaça e dá-se um tiro no ouvido. Isaías vai procura-lo num prostíbulo e encontra o diretor bêbado, de quatro, nu e sendo montado por uma prostituta.
Dois meses depois, com medo de ser denunciado pelo contínuo, Loberant promove-o a repórter.
Isaías começa a escrever um romance ( Clara, e aqui é óbvio que a referência é Clara dos Anjos, romance do autor), tudo muda na redação, as pessoas vão embora e a cada dia que passa Isaías é cada vez mais íntimo de Loberant. Mas se sente cada vez mais excluído. Então, resolve abandonar tudo e, após prestar concurso público, vai para Caxambu e escreve de lá as suas memórias.
É bom observar que todo o romance é escrito em primeira pessoa e que em todo o percurso narrativo a personagem é discriminada por causa da cor negra.

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